sexta-feira, 16/10/2026

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São José

Seminário Estadual de Autismo reúne especialistas em Santa Catarina

Evento reúne profissionais para discutir estratégias pedagógicas, neurociência e práticas baseadas em evidências para garantir a inclusão e o desenvolvimento de estudantes com TEA.

Santa Catarina contabiliza 91,6 mil pessoas diagnosticadas com o Transtorno do Espectro Autista (TEA) — o equivalente a 1,2% da população catarinense, com prevalência do sexo masculino (62,6%). Apesar do estado contar com avanços legislativos e a emissão gratuita da Carteira de Identificação do Autista pela Fundação Catarinense de Educação Especial (FCEE), a rede pública de atendimento clínico enfrenta severos gargalos operacionais.

Filas de Espera Ameaçam o Desenvolvimento Precoce

A escassez de vagas para diagnóstico e terapias essenciais gera extensas filas de espera no estado. Dados de entidades assistenciais apontam a gravidade da situação em municípios do litoral norte:

  • Balneário Camboriú: Cerca de 500 crianças aguardam por atendimento clínico especializado.

  • Itajaí: A fila de espera atinge aproximadamente 1,2 mil crianças.

Entidades como a Federação das Associações de Amigos do Autista de Santa Catarina (Feamas-SC), que reúne 32 AMAs credenciadas e presta suporte a outras 30 em processo de regularização, cobram maior incentivo financeiro do poder público e da iniciativa privada para acelerar as absorções terapêuticas.

Capacitação Pedagógica e a Metodologia DUA

Em resposta às demandas da comunidade, eventos promovidos pelo Parlamento Catarinense reúnem especialistas e famílias para discutir estratégias pedagógicas que superem a mera garantia de matrícula escolar. O foco central está na implementação do Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA) e nos avanços da neurociência aplicada.

Pontos-Chave da Inclusão Escolar

  • Personalização do Ensino: Rejeição de metodologias padronizadas, adaptando o currículo e as metodologias de ensino às especificidades neurodivergentes de cada estudante.

  • Abordagem Integral: Integração de cuidados com o processamento sensorial, habilidades motoras e autorregulação para prevenção e manejo de crises no ambiente de sala de aula.

  • Rede de Apoio Familiar: Fortalecimento da escuta ativa e acolhimento das demandas trazidas pelas famílias e mães atípicas na construção das práticas pedagógicas.

A efetividade das políticas públicas para a população autista no Estado depende da articulação contínua entre a expansão dos serviços de saúde e a aplicação prática da acessibilidade metodológica nas escolas.