A música começa, o salão ganha movimento e, aos poucos, os passos contam uma história que vai muito além da dança. Aos 92 anos, Aureliano Vieira encontrou no Centro de Atenção à Terceira Idade (Cati) de São José um lugar para cultivar amizades, descobrir novos interesses e viver momentos que se tornaram parte importante de sua trajetória. Há mais de duas décadas, ele frequenta o espaço e, nesta quarta-feira, recebeu uma homenagem especial, cercado pelo carinho dos filhos, netos, amigos e profissionais que acompanham sua caminhada.
Um dos primeiros alunos do Cati, inaugurado em 2005, Aureliano viu o espaço crescer enquanto também construía ali uma parte significativa de sua história. Ao longo dos anos, participou de praticamente todas as modalidades oferecidas, experimentou diferentes atividades e fez da convivência uma parte especial de sua rotina. Mas, entre tantas opções, uma sempre teve lugar de destaque: a dança de salão.
É na música e nos passos compartilhados que ele encontra uma das formas mais bonitas de celebrar a vida. A presença constante no Cati representa não apenas a participação em atividades, mas também o vínculo com pessoas que se tornaram parte de sua história.
Aureliano nasceu em 16 de junho de 1934, no bairro Saco dos Limões, em Florianópolis. Casou-se aos 16 anos com Onete Moreira, com quem formou uma família de seis filhos. Aos 18 anos, ingressou na Escola de Aprendizes-Marinheiros e iniciou uma trajetória de dedicação à Marinha do Brasil, instituição na qual construiu uma carreira marcada por responsabilidades e serviços prestados.
Durante a vida militar, trabalhou como barbeiro, atuou no Hospital Naval e serviu em diferentes unidades, passando pelo 5º Distrito Naval, pela Capitania dos Portos e pelo Rio de Janeiro, onde esteve na Ilha do Governador. Chegou à graduação de Primeiro-Sargento antes de passar para a reserva.
Mesmo depois de encerrar a carreira militar, Aureliano continuou contribuindo com a comunidade. Em 1979, foi chefe e um dos fundadores do Grupo de Escoteiros Baden-Powell, no Saco dos Limões. Também integrou o coral da Marinha Vozes do Mar, levando a música para diferentes momentos de sua trajetória.
No Cati, encontrou mais um espaço para expressar seus talentos e continuar aprendendo. Participou de atividades de dança e teatro, fez amizades e acumulou lembranças que hoje se misturam às histórias de sua família e de sua vida.
Para a diretora do Cati, Ana Lúcia Domingues Lopes, a homenagem representa o reconhecimento de uma trajetória que se confunde com a história do próprio centro.
“Seu Aureliano faz parte da nossa história desde os primeiros anos do Cati. É muito bonito acompanhar sua participação, sua alegria e a forma como construiu vínculos com tantas pessoas ao longo desse tempo. Homenageá-lo é reconhecer não apenas sua trajetória, mas também tudo o que ele representa para a nossa família Cati”, destaca Ana Lúcia.
O orgulho de uma família inteira
Entre os familiares presentes estava a filha Rosemery Vieira Cameu, que hoje também divide os cuidados com o pai e acompanha de perto essa etapa da vida dele. Para ela, a homenagem foi uma oportunidade de celebrar, com orgulho e emoção, a trajetória de um homem que dedicou a vida à família, à Marinha e à comunidade.
“É um orgulho muito grande olhar para a trajetória do meu pai e ver tudo o que ele construiu, pela família, pela Marinha e por tantas pessoas que fizeram parte da vida dele. Agora, dividir os cuidados com ele é também uma forma de retribuir todo o amor e a dedicação que sempre teve conosco. Ver esse carinho do Cati e essa homenagem, com a família reunida, é muito emocionante para nós”, destaca Rosemery.
A presença dos filhos e netos tornou o momento ainda mais significativo, reunindo diferentes gerações em torno de uma história marcada por trabalho, dedicação e afeto. Mais do que recordar o passado, a homenagem celebrou o homem que Aureliano continua sendo e os vínculos que mantém com as pessoas ao seu redor.
Uma homenagem que atravessa gerações
A emoção da celebração também ultrapassou os vínculos construídos no centro. Representantes da Associação dos Veteranos do Corpo de Fuzileiros Navais, de Florianópolis, participaram da solenidade para prestigiar Aureliano, reconhecendo sua história e sua ligação com a Marinha do Brasil.
Diretor patrimonial da associação, Valdir Marinho Rodrigues Vieira ressaltou a honra de representar os veteranos e acompanhar de perto o carinho dedicado ao antigo integrante da Família Naval. “Para nós, veteranos, foi uma honra representar nossa associação e a Marinha do Brasil nesta homenagem ao senhor Aureliano. Foi muito especial presenciar o carinho e a atenção que o Cati dedica às pessoas idosas, especialmente a alguém que também faz parte da nossa história. É uma homenagem justa e merecida”, afirma Valdir.
A secretária de Assistência Social, Rita Cassia Faversani, destaca a importância de espaços que valorizam as histórias individuais e oferecem oportunidades para que as pessoas continuem participando ativamente da comunidade.
“A história do seu Aureliano mostra como é importante criar espaços de convivência, acolhimento e participação. O Cati oferece oportunidades para que as pessoas idosas façam amizades, descubram novos interesses e continuem vivendo experiências significativas. Ver uma família reunida para celebrar uma trajetória tão bonita torna esse momento ainda mais especial”, ressalta Rita.
Um lugar para continuar vivendo novas histórias
Com 21 anos de funcionamento, completados em setembro de 2026, o Cati é um espaço de convivência e promoção do envelhecimento ativo em São José. Destinado a pessoas com 60 anos ou mais que moram no município, o centro oferece atividades como dança de salão, ginástica, pilates, hidroginástica, teatro, canto, inclusão digital e grupos de convivência, entre outras opções.
Para Aureliano, porém, o significado do lugar vai muito além das atividades. Está nas amizades que permanecem, nas conversas de cada encontro, nas apresentações, na música e na alegria de continuar fazendo parte de um grupo.
A homenagem reuniu diferentes gerações da família e pessoas que acompanharam sua trajetória ao longo dos anos. Filhos e netos estiveram presentes para celebrar não apenas os 92 anos de vida, mas também a história de dedicação, afeto e participação que Aureliano construiu dentro e fora do Cati.
Depois de uma vida dedicada à família, à Marinha e à comunidade, ele segue mostrando que novos capítulos podem ser escritos em qualquer idade. E, se depender de sua paixão pela dança de salão, ainda há muita música para tocar e muitos passos para dar.
Porque, para Aureliano, o Cati não é apenas um lugar que frequenta há mais de 20 anos. É um espaço onde construiu amizades, compartilhou talentos e encontrou motivos para continuar celebrando a vida.


