sábado, 17/10/2026

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São José

De medalhista internacional a campeã do Parajasc: Júlia Pereira Marcelino representa São José em Chapecó

Atleta josefense da classe BC3 acumula mais de uma década de trajetória na bocha paralímpica, com passagem pela Seleção Brasileira, medalhas internacionais e títulos estaduais; no Parajasc 2026, começou a caminhada com vitória

A história de Júlia Pereira Marcelino no esporte começou muito antes de ela entrar em quadra no Parajasc 2026. Aos 27 anos, a atleta do Time São José carrega mais de uma década de trajetória na bocha paralímpica, com títulos estaduais, medalhas nacionais e internacionais e até passagem pela Seleção Brasileira.

Em Chapecó, Júlia disputa a classe BC3 Feminino e iniciou sua participação nos 19º Jogos Abertos Paradesportivos de Santa Catarina com vitória. Na quarta-feira (19), ela venceu Liandra Renken Trautmann Lima, de Joinville, por 4 a 2, abrindo a competição com um resultado positivo.

A classe BC3 é disputada por atletas que utilizam uma rampa ou calha para colocar as bolas em jogo. O equipamento é manuseado por um operador de rampa, seguindo as orientações do atleta. A estratégia, a direção e a decisão sobre cada jogada pertencem ao competidor, tornando a precisão, a concentração e a leitura do jogo fundamentais para o resultado.“Ter uma atleta como a Júlia representando São José mostra a força e a importância do trabalho desenvolvido no paradesporto. Ela tem uma trajetória construída com muita dedicação, já vestiu a camisa da Seleção Brasileira e conquistou resultados importantes. Agora, está novamente defendendo nosso município e começando o PARAJASC com vitória. É motivo de muito orgulho para São José”, destaca o secretário municipal de Esportes e Lazer, Claiton Ribeiro.

Uma trajetória construída desde cedo
A relação de Júlia com a bocha paralímpica começou ainda na adolescência. Registros da Fundação Catarinense de Educação Especial (FCEE) já mostram a atleta vinculada à instituição e a São José em competições da modalidade pelo menos desde 2014.

Em 2017, aos 18 anos, Júlia deu um passo importante na carreira ao ser convocada para integrar a Seleção Brasileira Juvenil nos Jogos Parapan-Americanos de Jovens, disputados em São Paulo. Na classe BC3, conquistou a medalha de bronze representando o Brasil.

Naquele mesmo período, a equipe de bocha paralímpica da FCEE da qual fazia parte recebeu reconhecimento no Troféu Guga Kuerten de Excelência no Esporte, na categoria Melhor Equipe Paradesportiva.

No ano seguinte, veio outra oportunidade de representar o país em uma competição internacional. Júlia foi convocada para o BISFed São Paulo Regional Open, evento oficial do calendário internacional da modalidade que reuniu atletas de oito países.

Ao lado de Mateus Carvalho e Evelyn de Oliveira, integrou a equipe brasileira dos Pares BC3 que conquistou a medalha de ouro. O Canadá ficou com a prata e o Chile com o bronze.

O desempenho também abriu portas fora das quadras. Em 2019, Júlia foi contemplada pelo Programa Bolsa Atleta do Governo Federal, como atleta da bocha paralímpica de São José.

Ouro no PARAJASC e novos pódios
A trajetória de Júlia também tem capítulos importantes no próprio Parajasc.

Em 2021, ela conquistou a medalha de ouro na classe BC3, ajudando a equipe de bocha da FCEE a terminar com o vice-campeonato geral da modalidade.

No ano seguinte, voltou ao pódio no Circuito Catarinense de Bocha Paralímpica. Ao lado da operadora de rampa Maria Pereira Marcelino, conquistou a prata na classe BC3, em etapa realizada em Itajaí.

Em 2023, disputou o Campeonato Brasileiro de Bocha Paralímpica, em Fortaleza, e avançou até as quartas de final da BC3.

Mais recentemente, em 2025, voltou a representar FCEE/São José na ParaCopa Sesc, em Itajaí, onde conquistou a medalha de prata na BC3 Feminino.

“Quando a gente olha para a trajetória da Júlia, percebe que não estamos falando apenas de uma atleta que está disputando mais um Parajasc. Estamos falando de uma competidora que há anos leva o nome de São José para diferentes competições e que já representou o Brasil. É uma história de muita perseverança e que serve de inspiração para outros atletas”, afirma o secretário adjunto de Esporte e Lazer, Luciano Heck.

Um novo capítulo em Chapecó
Agora, em 2026, Júlia volta a defender São José nos Jogos Paradesportivos de Santa Catarina. A vitória por 4 a 2 na estreia abre mais um capítulo de uma carreira que já passou por competições escolares, circuitos estaduais, campeonatos brasileiros e eventos internacionais.

Na BC3 Feminino, Júlia integra o Grupo A, que reúne também atletas de Joinville, Itajaí e Lages.

A caminhada em Chapecó ainda não terminou. As disputas da Bocha Paralímpica seguem no FASUL Festas e Eventos, e a atleta josefense terá pela frente os demais compromissos da fase de grupos.

Com uma carreira construída ao longo de mais de dez anos, Júlia chega ao PARAJASC 2026 carregando no currículo medalhas internacionais, títulos estaduais, uma passagem pela Seleção Brasileira e a experiência de quem já conhece o caminho até o pódio. Em Chapecó, ela busca escrever mais um capítulo dessa história vestindo as cores de São José.

Principais resultados de Júlia Pereira Marcelino
2017 — Jogos Parapan-Americanos de Jovens: bronze na BC3, pela Seleção Brasileira.
2018 — BISFed São Paulo Regional Open: ouro nos Pares BC3, pela Seleção Brasileira.
2021 — PARAJASC: ouro na classe BC3.
2022 — Circuito Catarinense de Bocha Paralímpica: prata na BC3.
2023 — Campeonato Brasileiro: quartas de final na BC3.
2025 — ParaCopa Sesc: prata na BC3 Feminino.
2026 — Parajasc: vitória por 4 a 2 na estreia da BC3 Feminino pelo Time São José.