Objetivo é identificar o comportamento do animal para definir o perfil ideal de tutor
Dos quase 300 animais resgatados pela Diretoria do Bem-Estar Animal,
que estão sob cuidados em abrigos conveniados com a Prefeitura de São
José, cerca de 30 são da raça Pitbull ou cães com características
físicas semelhantes, como American Staffordshire Terrier, Staffordshire
Bull Terrier, American Bully e Bull Terrier.
Esses cães enfrentam dificuldades para serem adotados devido ao
estereótipo de agressividade, que nem sempre corresponde à realidade. O
comportamento canino depende principalmente da criação, socialização e
ambiente em que o animal vive, não sendo determinado apenas pela raça.
Outros fatores que atrapalham a adoção incluem excesso de energia, falta
de treinamento ou dificuldade em seguir comandos, problemas que podem
ser resolvidos com o trabalho adequado.
O resultado são abrigos lotados por longos períodos, impedindo que
outros animais em situação de vulnerabilidade ocupem essas vagas. Para
mudar esse cenário, o adestrador Murilo Garcia atua como voluntário em
abrigos, avaliando e ajustando o comportamento dos cães para encaixá-los
no lar ideal.
Nesta quinta-feira, Murilo esteve no abrigo Doce Lar, conveniado à
Prefeitura, para analisar alguns dos cães que aguardam adoção. “Vim
avaliar os cães do tipo ‘bull’ que precisam de ajuda para serem
adotados. Ao entender o perfil de cada um, fica mais fácil orientar as
famílias interessadas. Assim, garantimos adoções mais bem-sucedidas e
lares mais felizes”, explicou.
Abandono e má reputação
Murilo também destacou o aumento no abandono dessas raças: “Hoje,
vivemos uma epidemia de abandono de cães ‘bull’. Eles foram vítimas de
um modismo que passou, e agora são descartados em grande número. A
verdade é que, em geral, são extremamente amorosos com humanos. Sua
agressividade, quando existe, é direcionada a outros animais – um traço
ligado ao histórico da raça. Quando abandonados, podem atacar pets na
rua, o que reforça sua má fama. Mas, com pessoas, são dóceis e leais”,
afirmou.
A importância da adoção responsável
O adestrador ressaltou que adotar esses animais é um ato de amor e
responsabilidade social: “Muitos já sofreram maus-tratos e precisam
reconquistar a confiança. Com o acompanhamento adequado, a adaptação à
nova família torna-se mais tranquila.”
Durante a visita, Murilo avaliou 10 cães, identificando o perfil
comportamental de cada um e orientando a equipe do abrigo sobre o tipo
de ambiente e tutor mais adequado.
Como adotar
Interessados podem entrar em contato com a Doce Lar pelo telefone (48) 9 9952-0207.
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